A evolução das redes de telecomunicações está levando as operadoras a buscar novos níveis de automação, inteligência e eficiência operacional. Com ambientes cada vez mais complexos, compostos por diferentes tecnologias, domínios de rede, sistemas e serviços, a operação manual já não é suficiente para responder com a velocidade exigida pelo mercado.
Nesse contexto, o conceito de Autonomous Networks ganhou importância. Mas antes de implementar novas ferramentas de automação ou inteligência artificial, é necessário entender o estágio atual da rede e estabelecer critérios objetivos para medir sua evolução.
É justamente para isso que foi desenvolvido o Autonomous Network Levels (ANL) do TM Forum. O modelo classifica a capacidade de autonomia de uma rede em uma escala de 0 a 5, permitindo avaliar desde operações essencialmente manuais até ambientes totalmente autônomos.
O que é o Autonomous Network Levels?
O ANL é um modelo desenvolvido pelo TM Forum em conjunto com empresas do setor para estabelecer uma linguagem comum e uma metodologia de avaliação da maturidade de autonomia das redes.
A proposta não é simplesmente verificar se determinada rede possui automação. O modelo considera a capacidade do sistema de executar atividades, perceber o ambiente, analisar informações, tomar decisões e trabalhar com objetivos relacionados à intenção e à experiência.
Outro ponto importante é que o nível de autonomia pode ser avaliado em um cenário específico, como gerenciamento de falhas na RAN ou otimização de qualidade em uma rede IP, e não necessariamente como uma classificação única para toda a infraestrutura.
Isso permite uma visão mais precisa sobre onde a organização já possui maturidade e onde ainda existem oportunidades de evolução.
Os seis níveis de autonomia
O modelo do TM Forum estabelece seis níveis, de Level 0 a Level 5.
Level 0 – Operação manual
No nível 0, a operação é essencialmente manual. Os sistemas podem fornecer recursos de monitoramento, mas as ações necessárias para tratar eventos e executar mudanças dependem das equipes.
É o estágio em que existe pouca ou nenhuma autonomia efetiva.
Level 1 – Operação assistida
No nível 1, o sistema consegue executar determinadas tarefas repetitivas e previamente configuradas.
A automação aumenta a eficiência da execução, mas continua bastante limitada a atividades específicas e depende de intervenção humana para decisões mais amplas.
Level 2 – Rede parcialmente autônoma
No Level 2, a rede começa a executar determinados processos em closed loop, ou seja, consegue identificar uma condição e executar ações automaticamente dentro de um cenário delimitado.
A automação pode utilizar modelos de inteligência artificial, mas ainda está condicionada a ambientes e situações específicas.
Level 3 – Rede condicionalmente autônoma
No nível 3, a capacidade de percepção da rede evolui.
O sistema consegue identificar mudanças no ambiente em tempo real e, em determinados domínios, ajustar seu comportamento de acordo com essas condições.
Também ganha importância o conceito de intent-based closed-loop management, no qual a rede passa a trabalhar de acordo com objetivos ou intenções previamente definidos.
Ainda existe participação humana relevante, especialmente em situações que exigem decisões mais complexas.
Level 4 – Rede altamente autônoma
O Level 4 representa uma evolução significativa.
Segundo o TM Forum, nesse estágio a rede consegue atuar em ambientes mais complexos e multidomínio, utilizando análise preditiva, inteligência artificial e gerenciamento em closed loop orientado a serviços e à experiência do cliente.
Nesse nível, a automação deixa de estar restrita a tarefas isoladas e passa a apoiar processos mais amplos de operação e otimização.
É também um dos principais objetivos atuais de muitas iniciativas de Autonomous Networks no setor.
Level 5 – Rede totalmente autônoma
O Level 5 representa o estágio mais avançado do modelo.
A visão é alcançar capacidades de automação em múltiplos serviços, múltiplos domínios e ao longo de todo o ciclo de vida da rede, reduzindo ao mínimo a necessidade de intervenção humana.
É importante destacar que chegar a esse nível é uma jornada gradual. A evolução da autonomia pode começar por determinados processos e domínios e posteriormente ser ampliada para cenários mais abrangentes.
Como o ANL é medido?
A avaliação da maturidade não deve ser baseada apenas em uma percepção subjetiva da equipe.
O TM Forum possui uma metodologia específica para avaliação dos Autonomous Network Levels, documentada no IG1252, que estabelece uma abordagem padronizada considerando processos operacionais, subprocessos, tarefas e critérios de avaliação.
Também existem ferramentas específicas, como o Autonomous Network Level Evaluation Tool (ANLET), utilizadas para apoiar as avaliações.
A análise pode considerar diferentes capacidades da rede e indicadores relacionados à eficiência e à autonomia operacional.
O papel dos KEIs
A avaliação de maturidade também está relacionada aos Key Effectiveness Indicators (KEIs).
Esses indicadores ajudam a medir o valor e a efetividade da evolução para redes autônomas. Entre os aspectos que podem ser considerados estão eficiência operacional, velocidade de resposta, automação de processos e resultados proporcionados pela autonomia.
Assim, a empresa não avalia apenas se uma tecnologia foi implementada, mas também se ela está contribuindo para os resultados esperados.
ANL não é apenas tecnologia
Um dos pontos mais importantes do modelo é entender que autonomia não significa simplesmente adicionar inteligência artificial à infraestrutura.
A evolução depende da combinação entre processos, pessoas, sistemas, dados, automação, integração e governança.
Uma rede pode possuir ferramentas avançadas de IA e, mesmo assim, apresentar limitações de autonomia se os sistemas não estiverem integrados ou se os processos operacionais continuarem dependendo de muitas intervenções manuais.
Por isso, medir a maturidade permite identificar os verdadeiros gaps antes de definir novos investimentos.
Como utilizar o ANL para criar um roadmap?
Depois de identificar o nível atual, a organização pode estabelecer uma estratégia de evolução.
O roadmap pode incluir iniciativas relacionadas a:
- Automação de processos;
- Inteligência artificial;
- Machine Learning;
- Orquestração;
- Closed-Loop Automation;
- Integração entre sistemas;
- Qualidade e disponibilidade de dados;
- Capacitação das equipes;
- Evolução dos processos operacionais.
A ideia é avançar gradualmente, priorizando os cenários que apresentam maior valor para o negócio.
O próprio TM Forum estrutura seu framework de Autonomous Networks combinando AN Levels, KEIs, arquitetura-alvo e AN Map, entre outros elementos, para apoiar a jornada desde a estratégia até a implementação.
Por que medir antes de automatizar?
O ANL permite que a empresa deixe de tratar a automação como uma coleção de projetos isolados.
Ao conhecer seu estágio atual, a organização consegue identificar quais capacidades já existem, quais precisam evoluir e quais investimentos devem ser priorizados.
Essa abordagem reduz o risco de implementar tecnologias sem uma estratégia clara e ajuda a construir uma jornada de evolução consistente.
Para operadoras e empresas que trabalham com RAN, Transporte, Core, IP e Nuvem, essa avaliação pode ser feita considerando diferentes domínios e cenários de operação.
Conclusão
O Autonomous Network Levels (ANL) do TM Forum oferece uma referência estruturada para compreender e medir a evolução da autonomia das redes de telecomunicações.
Da operação manual no Level 0 até a visão de uma rede totalmente autônoma no Level 5, cada estágio representa uma evolução na capacidade de sistemas e processos de perceber, analisar, decidir e executar ações de forma cada vez mais independente.
Mais do que buscar imediatamente o nível máximo, o importante é compreender onde a organização está, quais são seus gaps e qual nível de autonomia faz sentido para cada cenário de negócio.
A partir dessa avaliação, torna-se possível criar um roadmap realista, combinando automação, IA, orquestração, processos e pessoas para construir redes mais eficientes, resilientes e preparadas para as novas demandas do setor de telecomunicações.
A Automatum auxilia seus clientes na medição dos níveis de maturidade em diversos cenários de redes de telecomunicações e estabelecer metas de maturidade, elaboração de planos de evolução e criação de agentes de IA para melhora dos níveis de maturidade.
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